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chartri 01-07-2012, 12:31
josemariaferreira 01-07-2012, 13:40
RE:
fxcct 29-06-2012, 09:56
fxcct 29-06-2012, 10:00
fxcct 29-06-2012, 12:04
RE: Uma aposta muito arriscada »
A. Luciano 01-08-2012, 14:32
danib 23-12-2012, 11:36
A. Luciano 23-12-2012, 13:32
colombo-o-novo 27-12-2012, 05:40
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HRC1947 25-12-2012, 17:28

RE: Uma aposta muito arriscada 01-08-2012, 14:32
Autor: A. Luciano      [responder para o fórum]
Terminei hoje a leitura do livro e sinto enorme dificuldade em comentá-lo.

Se seguisse a metodologia analítica dos genovistas deste fórum - escolher pormenores e dissecá-los - mesmo sem como eles recorrer a argumentos contraditórios, poderia escrever bem mais do que as 485 páginas do livro, tantos são os pormenores incorrectos e ainda mais os incompletos, além das asserções insuficientemente ou não fundamentadas.
Fora do campo dos factos mas já no das interpretações, daria nota muito negativa ao autor ou talvez só negativa, pois é matéria subjectiva e os recentes desenvolvimentos desta questão, sobretudo a valorização da Casa de Viseu no “imbroglio” abalou as minhas convicções e força-me a rever a “big picture” que formara deste período histórico.

Decididamente, em minha opinião, o prof. engº Fernando Branco, nem é historiador nem tem qualidades para sê-lo. Tem sim excelentes capacidades de investigador, abordou um assunto de que se adivinha não ter conhecimento especializado anterior e utilizando uma vasta panóplia de fontes - longe dos 20 mil títulos que refere Manuel Rosa - consegue uma notável síntese abordando a questão da verdadeira identidade de Cristóvão Colón em todos os possíveis ângulos. Aí não lhe encontrei falta.

O autor define claramente a metodologia que usou.
Começa por considerar que entre o Cristoforo Colombo, tecelão e o Cristóbal Colón descrito por Don Hernando Colón e Las Casas não há compatibilização possível. Ou se aceita o tecelão e se afasta D. Hernando como mentiroso e fantasista ou se nega o tecelão, opção que claramente assume por considerar a história conhecida de Colón incompatível com essa origem humilde e não peninsular.
E foi esta a única crítica explícita que encontrei em todo o livro. O autor diz não compreender como é possível aos “colombistas genoveses” aceitar a origem plebeia e vir depois noutras instâncias, repescar pormenores da “Historia del Almirante”.
Tendo então rejeitado a origem genovesa humilde, admite aprioristicamente que Don Hernando e Las Casas dizem a verdade - sem prejuízo de algum pormenor menos exacto - e procura então um fidalgo português que se possa encaixar nas pistas encontradas em Don Hernando, em Las Casas, nos escritos do Almirante e em testemunhos coevos.
Aqui, encontro também alguma crítica aos crentes de Salvador Fernandes Zarco, por se tratar de personagem virtual, já que não tem existência documentada. Mas não é expressa de forma tão explícita como a anterior.

Todo o livro se resume assim a excertos de Don Hernando, de las Casas, do Almirante e de testemunhos, analisando a sua possível compatibilidade com o que se sabe de Pedro Ataíde, precedidos de informação de enquadramento histórico para cada caso. Para grande número, são apresentados quadros genealógicos evidenciando as ligações familiares de Pedro Ataíde. Adivinho que esta informação genealógica será uma importante mais valia para a aceitação pública desta obra mas, com toda a franqueza, para mim é pouco menos do que irrelevante. É que, postulada a provável identidade de Colón na nobreza principal, qualquer que fosse a sua identidade, encontrar-se-iam relações semelhantes. Mas, como disse, o grande público não terá essa percepção.
Insisto em que o livro a isto se resume.
Aspectos importantes da vida de Colón mas que serão irrelevantes para a questão da sua verdadeira identidade, são completamente ignorados e até, por exemplo, as suas quatro viagens, são ultra resumidas a pormenores que possam mostrar alguma compatibilidade com o que foi, ou o autor presume ter sido, a personalidade de Pedro Ataíde.

Completamente de fora ficou também a questão de Colón poder ter sido um agente de D. João II. É assunto que merece comentário mais aprofundado que aqui não faço por me estar a cingir a apreciação do livro.

Por tudo, considero este livro uma aposta muito arriscada. Se se vier aprovar que Pedro Ataíde foi efectivamente Colón, o prof. Fernando Branco ficará internacionalmente conhecido mas se se provar que não foi, o livro será remetido ao lixo do esquecimento, pois nada mais tem que o justifique. Nunca poderá concorrer com Mascarenhas Barreto ou Manuel Rosa.

Para não me furtar a conclusões, Pedro Ataíde fica aquém das minhas exigências. Os que acompanharam estes tópicos, saberão que fui particularmente sensível ao facto da Corte espanhola ter escondido a verdadeira identidade de Colón muito para além do seu tempo. Quem seguiu o tópico que iniciei “Pleito de sucessão do ducado de Verágua” poderá constatar que mais de um século depois da morte de Colón, soberanos de Espanha encobriram essa identitificação contra o que seriam os interesses patrimoniais da Coroa, inclusivé promovendo a elaboração de genealogia falsificada. Pedro de Ataíde, como apresentado no livro, não justifica tal empenhamento.
O autor enquadra a ida para Castela em 1484 na conspiração de D. Diogo e justifica o encobrimento dos Reis Católicos para não confessarem o apoio dado a essa conspiração. Acho o argumento fraco - embora válido - porque foram pagas tenças em Castela a outros conspiradores que não mudaram de identidade e, em qualquer caso, essa necessidade de encobrimento cessaria quando D. Manuel ficou bem instalado no trono, contratou os seus casamentos com infantas de Castela e, sobretudo, deu garantias de que não apoiaria nem permitiria novas pretensões da Excelente Senhora ao trono de Castela.

No entanto é impossível ignorar a imensa recolha de informação e, sempre em minha opinião, o autor conseguiu o que pretendia: mostrou que Pedro de Ataíde, “o Inferno” poderia ter sido Don Cristóbal Colón. Coerentemente, vou enviar o e-mail solicitado pelo autor, considerando que há motivo bastante para justificar uma investigação genética que, felizmente, parece possível pelo cromossoma “y”.
Acrescento que se tal estudo se efectuar e o seu resultado for positivo, abrir-se-à para mim um novo mistério:
Que (terrível) segredo poderia estar ligado à identidade da mãe (ou da avó) de Pedro Ataíde?

A. Luciano
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