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Portugal-Casa Real
Portugal-Casa Real
História
Correspondendo sensivelmente à Lusitânia do Império Romano que administrou o território durante quase 600 anos, as sucessivas invasões de bárbaros - Vandalos, Suevos, Alanos - puseram termo a esse domínio cerca de 410 da era de Cristo.
Foram os Suevos os que mais tempo resistiram mas acabaram, cerca de 585, por se intregrar no reino dos Visigodos, estabelecidos na zona da actual Galiza.
Cerca de 700, os Árabes, vindos do Norte de África, acabaram por conquistar praticamente toda a Península, restando apenas fora do seu controlo o pequeno reino das Astúrias que se tornaria, mais tarde, no reino de Leão.
Este reduto visigodo, já convertido ao cristianismo, seria a base de partida para a reconquista da Península.
Do seu 2º casamento com Constança de Borgonha, Afonso VI, rei de Leão e Castela, deixou apenas uma filha, Urraca, que viria a suceder-lhe no trono. Mas teve também uma filha bastarda, Teresa, casada com Henrique da Borgonha, a quem foi entregue, com carácter hereditário, o condado de Portucale.
Deste casal foi filho D. Afonso Henriques que, em 1139, declarou a independência do condado e o erigiu em reino.
Conseguido o reconhecimento pelo rei de Leão (1143) e pelo Papa (1179), os seus descendentes prosseguiram a obra do povoamento e da reconquista para sul, ficando em 1253, com a conquista do reino do Algarve por D. Afonso III, definidas as fronteiras do país que se mantêm até hoje.
A morte do rei D. Fernando (1383) deixando por herdeira uma única filha casada com o rei de Castela dá lugar a uma crise sucessória de que acaba por sair vitorioso o Mestre da Aviz, D. João, irmão do rei defunto, fruto de uma das muitas ligações amorosas de D. Pedro I.
Apesar de se manter a varonia de D. Afonso Henriques, inicia-se uma nova dinastia - de Aviz - que ficará marcada pela expansão de Portugal além-mar.
Depois da conquista de Ceuta (1415), sob o impulso do infante D. Henrique, começa a epopeia dos descobrimentos, que culminará em 1500 com a descoberta do Brasil.
O sonho de dominar todo o continente africano conduzirá à tragédia de Alcácer Quibir (1578), onde morre o rei D. Sebastião - sem estar ainda casado - e, com ele, grande parte da nobreza.
Por falta de descendentes directos em Portugal, a sucessão do trono recai nos reis de Espanha e Filipe II concretizará assim o sonho antigo de unificar toda a Península sob um único ceptro.
O domínio espanhol manter-se-á por 60 anos (1580-1640) até ser derrubado por um golpe palaciano que coloca no trono o 8º duque de Bragança, D. João, parente próximo da Casa de Aviz por descender do Mestre de Aviz, o rei D. João I, dando origem a uma nova dinastia - de Bragança.
Durante os tempos conturbados que a Europa conheceu enquanto Napoleão se manteve como imperador dos Franceses, a corte portuguesa transferiu-se para o Brasil, dando à colónia um impulso que a breve trecho conduziria à sua independência. Proclamada em 1822 sob os auspícios do príncipe herdeiro de Portugal (D. Pedro I), a morte do rei D. João VI (1826) dará lugar a uma crise sucessória que mergulhou o país numa guerra civil, opondo as pretensões do imperador do Brasil às de seu irmão D. Miguel, que acabará por reinar em Portugal de 1828 a 1834.
Depois de abdicar do trono brasileiro a favor de seu filho (D. Pedro II), o imperador D. Pedro I partiu para Portugal com o objectivo de instalar sua filha D. Maria II no trono português. Obtida essa vitória (1834), o rei D. Miguel é obrigado a exilar-se na Áustria e a descendência de D. Maria II reinará em Portugal até 1910, ano em que, um golpe republicano - que dois anos antes tinha assassinado o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luis Filipe - obriga o jovem rei D. Manuel II a exilar-se no estrangeiro, onde morrerá em 1932 sem ter deixado descendência.
Se a varonia de D. Afonso Henriques se perdeu na Casa reinante - pelo casamento de D. Maria II com o príncipe Fernando de Saxe-Coburg-Gotha - manteve-se contudo na descendência do rei D. Miguel que viveu exilada na Áustria até à revogação da lei do banimento (27-5-1950) que permitiu o seu regresso a Portugal.
É seu bisneto o actual duque de Bragança, D. Duarte, representante do trono português e Chefe da Casa Real Portuguesa.
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